Caso 16 - Fúria da natureza - O raio

Por mais que a ciência moderna tenha estudado o sistema climático da Terra e tenha respostas para uma grande quantidade de situações que já foram consideradas misteriosas ao longo dos milênios, ainda assim há mistérios ocultos ocorrendo em nossa atmosfera, mares e solos mundo afora.
Na atmosfera há as tempestades, os raios e os tornados, apenas para citar alguns exemplos de fenômenos conhecidos, mas não completamente explicados.
Os raios são assustadores e ainda guardam segredos.
Cito o presente caso apenas para lembrar que os fenômenos estranhos associados à estrutura física do planeta serão estudados aqui neste blog.
Os raios são fenômenos comuns. Abundantes, não deveriam ser motivo de mistério depois de tanto serem estudados. Mas a mera abundância não é suficiente para se desvendar a natureza completa de um objeto ou fenômeno. Cito o cérebro humano como outro exemplo, além dos raios, de objeto abundante e no entanto pouco compreendido.
Uma das causas do mistério que envolve os raios é a sua fugacidade. Raios são abundantes, mas um único raio em si é um fenômeno fugaz. Sem instrumentos adequados é quase impossível para o ser humano apreender alguma coisa além daquilo que instintivamente tanto tememos: um flash de luz, um estrondo aterrador e nos casos mais sérios, choques e até mesmo queimaduras, destruição de bens e morte.
Relato aqui minha primeira experiência não com os raios em si, mas com uma única ocorrência deles por mim presenciada a muitos anos atrás.
Caso você, leitor, já tenha lido alguma outra postagem neste blog, deve saber que meus relatos seguem uma ordem cronológica. Relato os fenômenos mais importantes ao longo de minha vida para estimulá-lo a também dar a sua contribuição nesse blog sobre os temas em discussão.
Evidentemente que desde o dia em que nasci estou sujeito a presenciar raios no ambiente onde vivi e vivo. Certamente ouvi muitos trovões e vi muitos relâmpagos decorrentes de muitos raios desde que nasci, mas ainda que se possa viver cercado de raios, é certo que eles são aleatórios e imprevisíveis. Assim, pode-se ver uma nuvem de tempestade ao longe e se preparar psicologicamente para captar relâmpagos e raios, porque nesse caso é certo que eles ocorrerão. Mas neste caso não se pode em geral sentir a verdadeira potência, a verdadeira natureza do fenômeno. A curiosidade pessoal de um indivíduo pelos raios vai até onde o bom senso e a prudência recomendam ir. Não se pode esperar ver um raio de tão perto a ponto de nos ferirmos ou morrermos em decorrência dele. Não se pode, todavia, alegar que um raio vislumbrado caindo a dezenas de quilômetros seja uma experiência capaz de demonstrar toda a potência e violência do fenômeno. Então, a oportunidade de se vivenciar a verdadeira potência do fenômeno será limitada pela sorte ou azar do observador. Se este tiver sorte, poderá ver um raio a uma distância segura, mas ao mesmo tempo perto o suficiente para sentir a força dele em quase toda a sua plenitude.
É sobre esse momento de sorte ou azar que falo agora.
Vi um raio em sua plenitude em um dia de tempestade em meados de 1981. Nessa época eu era um garoto. Evidentemente eu já vira raios ao longe, ouvira trovões mais ou menos perto e sentira a fúria do clima por meio de outros fenômenos correlatos, como o vento e a própria chuva densa, que são outros componentes interessantes do processo climático no planeta. Lembro-me, por exemplo, de uma chuva muito forte que caiu em uma época em que eu era ainda mais jovem do que era em 1981. Durante essa chuva forte lembro-me de ver minha mãe olhar assustada para as telhas de nossa pequena casa sem forro e relatar ter visto as telhas ondularem pela força do vento durante uma rajada particularmente violenta, mas como eu próprio não tinha a capacidade de entender o risco decorrente dos ventos e não tenha visto com meus próprios olhos as telhas ondulando, não acho adequado dizer que vivenciei a força de um dos elementos da natureza em sua potência extrema nessa ocasião em particular.
Mas em 1981 eu pude sentir de fato o poder de uma dessas forças naturais.
A observação deu-se em  uma outra casa, em um outro quarteirão do mesmo vilarejo onde cresci, conforme já relatei neste blog.
Essa casa tinha uma área de lazer com uma mesa e algumas cadeiras onde tomávamos nossas refeições diárias. Uma vez na mesa em um dia qualquer eu tinha diante de meu campo de visão uma colina suave que se estendia para depois das poucas casas restantes naquela direção. Além de duas ou três casas adiante havia um pasto e mais adiante um pequeno bosque de eucaliptos.
Naquele dia, no horário da tarde, uma chuva de verão se formava. A chuva caia espasmodicamente como uma típica chuva de verão, ora mais forte, ora mais leve. E os raios pipocavam no entorno do vilarejo. Nesse momento eu estava tranquilamente sentado em uma cadeira junto à mesa observando a chuva cair sobre o bosque de eucaliptos a cerca de 250 metros mais à frente.
Então um raio explodiu no meio do bosque com toda a sua força e majestade.
À distância de 250 metros o som chegou em menos de 1 segundo aos meus ouvidos. É verdade que meus olhos captaram primeiro o flash de luz, mas do ponto de vista psicológico a luz e o som chegaram quase juntos em um único estrondo inesperado.
A corrente de elétrons fluiu da nuvem mais acima do bosque e penetrou-o em uma linha de luz quase reta. Foi uma corrente daquelas que parecem concentrar toda a energia estática de toda uma nuvem em um único fio grosso e demorado de luz branca com bordas amarelas. Pareceu fritar o ar à volta por uns dois ou três longos e assustadores segundos e depois sumiu.
Certo, vi mais raios depois desse dia. No entanto, quase nenhum que se comparasse a este em termos de surpresa e temor.
Pessoalmente não nego ter receio dos raios desde então. Aprendi depois que eles buscam pontos mais elevados e tudo o mais que se sabe sobre eles, mas não me sinto conformável quando não estou em algum lugar seguro durante uma tempestade elétrica.
É comum hoje em dia que as pessoas postem na internet muitos vídeos de raios captados por um golpe de sorte ou azar durante tempestades mundo afora. Há casos de raios realmente bem próximos do observador e o raio que descrevo no relato acima não se enquadraria entre os mais deslumbrantes e assustadores se tivesse sido filmado naquele dia, mas não importa. Um raio real observado ao vivo é muitíssimo mais assustador do que o mais potente dos raios exibidos em uma segura tela de celular.
O que mais os raios trazem de surpreendente?
Falarei mais sobre eles neste blog, mas não agora.
Encerro esse caso lembrando-o de que você, leitor, certamente já vivenciou raios em sua vida.
O que você notou de interessante nos raios que viu?
Mas não se limite aos raios. Fale sobre suas experiências estranhas com a infraestrutura natural do planeta, como os tornados, os terremotos ou qualquer outro evento que considere digno de ser relatado.
Ficaremos felizes em ler seu relato por aqui.

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