Caso 11 - Skylab

Em 1979 houve um evento de cunho tecnológico que ganhou ares de catástrofe global. 
Nessa época, a corrida espacial já não era tão importante depois da chegada dos americanos à Lua. Eu era um menino nessa época, estava na escola e a iminência da queda da Skylab, uma estação estação espacial americana, foi o assunto de semanas.
A chegada do homem à Lua era fato que todas as crianças já sabiam. Quem nasceu e cresceu entre 1965 e 1975 certamente aprendeu cedo sobre o que era a Lua, o Sol e as estrelas, e ainda mais: aprendeu que aquela bola cinzenta no céu já havia sido pisada por seres humanos.
Eu me recordo claramente de que até uma determinada idade eu não tinha noção de localização geográfica. Não conseguia ver relação entre a localização de minha casa e o nascer do Sol. Sempre que ia para outra cidade, dizia assombradamente que naquele lugar o Sol nascia em um lugar diferente, sem ser capaz de entender que era a rua em que eu estava que era localizada em um ângulo diferente da rua de minha casa, que era meu ponto de referência interno para as posições das coisas celestes em relação a meu mundo infantil.
Quanto à Lua, não era capaz de saber se era longe ou perto. Quanto à ida dos homens à Lua, não sabia como, por quais meios, quanto tempo levara, como a coisa se dera de fato. Naquela época era apenas possível ver os aviões intercontinentais riscando o céu durante o dia e trovejando no silêncio das noites até desaparecem no vazio do nada.
Meu pai sempre se esforçou para mostrar em algum lugar do céu algum pontinho brilhante, um avião comercial, que ia sempre no mesmo rumo, em direção a uma grande cidade bem longe de casa. Demorou para que meus olhos fossem capazes de perceber os pontinhos. Então em um belíssimo final de tarde com o Sol se pondo em uma vermelhidão magnífica eu pude perceber um pontinho de fogo no céu, um avião refletindo a luz vermelha, rumando para o nada.
Depois dessa experiência, não errei mais com a minha visão e os aviões passaram a ser facilmente detectáveis durante o dia.
Mas a Skylab era totalmente invisível e inconcebível para mim. Não era capaz sequer de imaginar qual poderia ser o seu formato, para quê servia, onde estava, a que distância estava, que rumo seguia.
Mas eu sabia que ela estava para cair.
Pior: ninguém sabia onde ela iria cair.
Cairia sobre nossa cidade? Ela era muito grande? Muito pesada? Muito sólida? Poderia nos matar?
Eu e ninguém na nossa escola sabia de nada. Apenas especulávamos, não sem alguma apreensão.
Mas o assunto circulava apenas entre os muros da escola e em casa ninguém dava a mínima para o caso. Nem nas vizinhanças de casa. Entre os adultos parece que somente uma única professora falou do assunto em uma aula à tarde, mas sem muito entusiasmo e alarde, de forma que aparentemente somente nós, as crianças, demonstrávamos um pouco de medo. Claro, a televisão, o Fantástico, contribuía com a sua cota de responsabilidade para que nós tivéssemos nosso temor aumentado. Sérgio Chapelin, ou Cid Moreira, ou algum outro apresentador sinistro falaria sobre o caso nas noites de domingo de uma maneira alarmista e soturna tal que criança alguma deixaria de ter medo.
Por fim, o terror prometido pelo Fantástico não ocorreu. 
A carcaça da estação caiu sobre o nada sem deixar vestígio.
Os agourentos apresentadores do Fantástico noticiaram laconicamente o final feliz para todos e o mundo seguiu adiante.
Mas não de todo para mim, ao menos.
Quer dizer que os homens construíam naves espaciais que caíam sobre nossas cabeças? Eles iam à Lua, a todos os lugares fora da Terra, e as coisas poderiam dar errado por lá?
A queda da Skylab despertou meu interesse pela tecnologia da astronáutica. 
Alguns anos depois eu tive a oportunidade de ter acesso aos livros muito bem guardados da pequenina biblioteca da escolinha onde eu estudava e pude aprender mais detalhadamente sobre a origem dos foguetes, os primeiros satélites em órbita, os primeiros homens no espaço, a ida do homem à Lua e mesmo sobre a malfadada sina da Skylab, afastando o receio infantil tão bem alimentado alguns anos antes pelos agourentos apresentadores do Fantástico.
A capacidade humana de se aventurar para fora do nosso espaço atmosférico normal, respirável, aconchegante e seguro é um assunto que eu considero definitivamente um tema digno de figurar entre outros já citados neste blog e por mim considerados como fenômenos estranhos e pontos cegos, porque na medida em que vamos estudando o tema, em conjunto com o conhecimento que a humanidade tem da astronomia, mais e mais vamos sendo desafiados pela enormidade de segredos que o cosmo ainda nos esconde, e aventurar-se nesse tema é algo digno de ser feito.
Se você gosta de astronáutica e astronomia, esse é um bom local para se informar. 
Mas há uma ressalva.
Evidentemente que nem tudo em astronomia e em astronáutica representa um ponto cego ou um fenômeno estranho. Essas são áreas com forte conteúdo de ciências exatas e tecnológicas. Não há espaço para mistificação, dubiedade, fantasmagoria ou teorias conspiratórias. 
Ainda assim há espaço para os mistérios genuínos do ponto de vista da ciência moderna, da física em particular, e embora sejam mistérios que dificilmente seriam solucionados por leigos, ainda assim merecem ser melhor entendidos e discutidos.
Assim, incluo o tema entre aqueles que serão apurados mais detalhadamente neste blog, embora enfatizo que não em todos os seus aspectos.
Você é capaz de apontar um fenômeno estranho nesse ramo do saber humano?
Vá em frente. Conta para nós...

Comentários

Postagens mais visitadas